Ônibus e táxis elétricos na América Latina evitariam 36,5 mil mortes e economizariam US$ 64 bilhões, diz ONU

Sistemas de ônibus elétricos devem ser prioridade nos investimentos para a América Latina, diz ONU
Relatório foi apresentado na quinta-feira no Panamá. Projeções são para 2030. Antes mesmo de se pensar na matriz energética, contudo, planos devem ser para transporte público, que precisa ter tarifas acessíveis e oferecer segurança.

“Se toda a frota atual de ônibus e táxis de 22 cidades de 12 países da América Latina fosse substituída por modelos elétricos a partir desse ano, seriam economizados até 2030 cerca de 64 bilhões de dólares em combustíveis”.
A frase consta em comunicado da agência ambiental das Nações Unidas, a ONU Meio Ambiente, a respeito de um novo relatório divulgado na última quinta-feira, 16 de novembro de 2017, no Panamá.
Ainda de acordo com o mais recente estudo, o dado mais importante é que a frota de veículos elétricos poderia livrar 36,5 mil pessoas do risco de morte prematura por causa da má qualidade do ar.
O relatório ainda sustenta que uma frota de veículos elétricos na América Latina poderia proporcionar a redução de 300 milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono.
Os números, entretanto, são uma projeção para alertar os governos locais de que as políticas de financiamento das matrizes energéticas limpas na área de transportes devem considerar os custos que deixariam de existir em médio prazo, principalmente por causa da saúde pública, devido a implantação de modelos de carros e ônibus menos poluentes.
Na prática, por mais que haja espaço e até necessidade de eletrificação dos veículos, ainda não é possível pensar em todos os táxis e ônibus elétricos em médio prazo por causa das condições operacionais de algumas regiões de cidades da América Latina e da ausência de recursos. Hoje os modelos elétricos são mais caros que os veículos à combustão e, algo que parece bem encaminhado na Europa, América do Norte e Ásia, ainda engatinha em parte da América Latina: o custeio de implantação das tecnologias alternativas ao óleo diesel e gasolina e a remuneração da operação, em especial, no transporte público.
Os novos dados da ONU indicam que o uso de subsídios públicos (diretos ou indiretos) se bem aplicados pode ser vantajoso diante da economia projetada em combustível e na saúde pública pelo uso de veículos menos poluentes.
O coordenador regional de mudanças climáticas da ONU Meio Ambiente, Gustavo Máñez, disse que somente a mobilidade elétrica vai permitir o cumprimento do acordo de Paris, que é  limitar o aquecimento global abaixo de 2°C e, se possível, abaixo de 1,5ºC.
“Transformar o setor de transportes para a modalidade elétrica é crucial para cumprir com os compromissos do Acordo de Paris”
A Cidade do Panamá se comprometeu a realizar um estudo aprofundado para pesar prós e contras e comparar o desempenho, emissões e custos de ônibus elétricos e ônibus a gás natural.
O relatório destaca ações de cidades latino-americanas que estão substituindo os ônibus a diesel por elétricos, com Santiago, que abriu uma licitação para a compra de 90 unidades.

ANTES DE TUDO, O COLETIVO
No entanto, muito mais que trocar a matriz energética da frota, a ONU salientou a necessidade de transformação nas formas de deslocamento, algo que foi pouco destacado pela imprensa internacional.
O Diário do Transporte teve acesso ao relatório que é enfático em colocar a priorização do transporte coletivo e o transporte não motorizado como responsabilidade urgente do poder público em diferentes níveis para poupar vidas e recursos econômicos
“Fornecer acesso a transportes públicos e infraestrutura de transporte não motorizado em cidades” – é uma das recomendações.
Com isso, a ONU sugere como urgências os investimentos em calçadas melhores para os deslocamentos a pé, em ciclovias, em sistemas metroferroviários e na qualificação dos serviços de ônibus, com corredores do tipo BRT, espaços preferenciais em cruzamentos e políticas públicas para o setor.
Os efeitos que a manutenção das políticas de incentivos ao transporte individual para a América Latina são tão graves que, em de qualificar como prosperidade, a ONU classifica como risco, a possibilidade de a frota de veículos crescer três vezes na América Latina em 25 anos na comparação com os níveis atuais.

SEGURO PARA MULHERES E CRIANÇAS:
Outro aspecto sobre inventivo e política pública que a ONU sugere em seu relatório para a América Latina é que os transportes coletivos tenham preços acessíveis aos passageiros e que ofereçam segurança, em especial para mulheres e crianças.
Hoje o grande número de assaltos, assédios e violência em geral nos transportes públicos é um dos maiores problemas de quem usa ônibus, trem ou metrô e é um dos fatores que desestimulam mais pessoas, em especial mulheres, a deixarem o carro em casa.
A eliminação da gasolina até 2050 e a criação de zonas de livre emissão nas cidades com redes intermodais de transportes também são outros pontos abordados técnicos da ONU neste relatório inédito.

ADAMO BAZANI

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